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Conselheiros do CREMERJ debatem indicações de partos cesarianos ou vaginais
CREMERJ| Departamento de comunicação
janeiro/2009

A polêmica em torno das indicações de partos cesarianos e partos vaginais foi o tema da plenária temática, realizada no dia 4 de fevereiro. A sessão teve como objetivo dar informações atualizadas sobre o assunto para fundamentar as opiniões dos que não são especialistas em obstetrícia. O tema foi apresentado por um dos conselheiros do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro(CREMERJ), Ricardo Oliveira e Silva.

“Muitas vezes, um integrante do Conselho que normalmente não lida com o assunto precisa se manifestar sobre ele e, para isso é necessário que tenha informações adequadas” observou o Presidente do CREMERJ, Luis Fernando Moraes. Ricardo Oliveira e Silva expôs afirmativas falsas feitas em publicações do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Saúde (ANS), passíveis de contestação, tendo em vista os métodos utilizados ou pesquisadores nem sempre capacitados para o assunto. Ele também mostrou trechos de textos publicados na imprensa, com deduções tendenciosas, explicitando como a desinformação pode contribuir negativamente para formar juízos de valor equilibrados. Uma das conseqüências, em sua opinião, pode ser um claro incentivo ao parto realizado por profissionais não médicos.

“A discussão sobre a cesariana tem a ver com o objetivo final de afastar o médico do parto. São feitas críticas a esse procedimento como se ele fosse a raiz dos males da obstetrícia e, com isso, forçam o médico a sair do processo, minimizando sua atuação e colocando outros profissionais no lugar.” argumentou Silva. Segundo ele, não se trata de uma defesa extremada da cesariana, mas apenas de combater o que está sendo feito. - Quando falam mal da cesariana estão falando mal de quem está fazendo o procedimento. Além disso, não há empenho em controlar as maiores causas da mortalidade materna, como a hipertensão na gravidez. O que defendemos é o direito de informação correta e o respeito à decisão da mulher quanto ao parto. A redução de cesáreas deve ser conseqüência da melhoria da assistência ao parto. A cesárea não é causa dos maus resultados perinatais no Brasil - afirmou.

Críticas à marcação de partos com muita antecedência


A Vice-Presidente do CREMERJ, Vera Fonseca, que também preside a Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro (SGORJ), criticou a presença de doulas (acompanhantes remuneradas) em detrimento de parentes e amigas da paciente, que prestariam apoio emocional no trabalho de parto. Ela também reclamou da dificuldade de vagas obstétricas na rede privada. “Hoje não temos leitos obstétricos suficientes. O correto seria que, no início do trabalho de parto, médico e gestante tivessem a certeza de que seriam acolhidos na maternidade escolhida anteriormente. A incerteza de conseguir um vaga aumenta o risco de prematuridade dos bebês, obrigando-os a ocupar a UTI neo-natal. É comum vermos marcação de partos com três ou quatro semanas de antecedência” observou Vera.

O pediatra e Conselheiro Arnaldo Pineschi salientou que a primeira coisa que deve ser mudado é o termo “parto normal”. Segundo ele, o termo dá a impressão que os demais procedimentos são anormais. Para o Conselheiro Paulo Cesar Geraldes, o parto domiciliar é um dos grandes problemas que envolvem as gestações. Ele defendeu o direito das gestantes receberem informações adequadas sobres os riscos e benefícios de cada método. O Conselheiro Aloísio Tibiriçá esclareceu como está o desenvolvimento da Comissão Nacional que reúne o CFM, a Febrasgo e a ANS e que tem como principal meta definir causas e as soluções viáveis para o problema dentro da saúde suplementar. Ele discorreu sobre a campanha da ANS sobre o parto normal, a regulamentação do parto feito por enfermeiras e o estabelecimento das casas de parto. “Não precisa ser obstetra para perceber o óbvio. O problema tem que ser encarado a partir da situação do médico, dos hospitais, das gestantes e das operadoras” ressaltou.

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