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Notícias

Governo federal anuncia plano de contingência contra a gripe do frango

» 
20 de outubro de 2005
   
 

Os ministérios da Saúde e da Agricultura elaboraram planos de contingência contra a gripe aviária com medidas para combater a doença caso alguma pessoa se contamine ou mesmo para evitar a entrada do vírus no Brasil. O ministro da Saúde, Saraiva Felipe, disse que a preocupação se justifica pela possibilidade de haver transmissão de homem para homem e pelos prejuízos econômicos que a doença pode gerar se alcançar o frango brasileiro.

"Apesar do vírus estar circunscrito a alguns países, a transmissão ocorre entre aves e de aves para humanos. Quando ele passa da ave para o homem, é mais virulento porque o ser humano não tem uma produção imunológica natural contra ele, como tem no caso de gripes mais comuns. Além disso, há o risco de o vírus ‘aprender’ a se transmitir de homem para homem. Temos que nos preparar em termos de saúde pública", explicou.

De 2003 até hoje, 117 pessoas que tiveram contato direto com aves contaminadas pela gripe do frango, em granjas ou em abatedouros, morreram depois de contrair o vírus. A maioria dos casos ocorreu na Ásia.

Saraiva Felipe lembrou que a situação também é preocupante do ponto de vista econômico, já que o Brasil é o maior exportador de carne de frango. Uma contaminação no país provocaria um extermínio de aves em massa, como já aconteceu em países da Europa, onde se confirmou a existência de focos da doença, há poucos dias.

O governo, disse o ministro, encomendou ao Laboratório Roche nove milhões de kits do remédio Tamiflu, o único no mundo capaz de combater o vírus em humanos. "Essa quantidade é para atender a uma situação crítica, já que significa 5% da população brasileira", afirmou. Segundo Saraiva Felipe, se não houver casos de gripe do frango em humanos no país, será possível usar o remédio contra os tipos de gripe comuns no Brasil, que são os tipos ‘A’, ‘B’ e ‘C’. Os kits foram adquiridos por R$ 193 milhões.

No caso de contaminação em humanos, o doente tomará o remédio e as pessoas que tiveram contato com ele também, só que em menor dose. "É uma medida de prevenção, mesmo que não haja transmissão entre humanos", explicou o ministro.

Saraiva Felipe disse ainda que a vigilância sanitária vai aumentar. Ele destacou que ouviu do ministro interino da Agricultura, Luiz Carlos Guedes Pinto, numa reunião no Palácio do Planalto, detalhes sobre as ações da pasta para evitar a entrada no Brasil do vírus da gripe aviária. As medidas incluem maior vigilância em portos e aeroportos e mais atenção na fiscalização de granjas. Uma das sugestões aos produtores seria a construção de telas próximas aos criatórios, para evitar que haja contato do frango com aves migratórias que também carregam o vírus. "Isso tudo é necessário, até porque, depois dos focos na Ásia e na Europa, o Brasil incrementou as exportações de carne de frango", comentou o ministro da Saúde.

As autoridades vão também monitorar os locais usados como paradas estratégicas por aves que viajam do Hemisfério Norte para o Hemisfério Sul. No Brasil, as aves que vêm do hemisfério Norte costumam pousar em Pernambuco, Maranhão e Rio Grande do Sul, antes de seguir viagem rumo ao pólo Sul. "Estamos em período migratório, por isso devemos ter mais atenção", disse Saraiva Felipe. Aves migratórias que apresentem suspeita de contaminação, serão apreendidas e examinadas para verificar se têm o vírus H5N1, o tipo que passa de ave para humanos.

   
» Fonte
Agência Brasil de Notícias

 

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