| |
Os ministérios da Saúde e da
Agricultura elaboraram planos de contingência contra
a gripe aviária com medidas para combater a doença
caso alguma pessoa se contamine ou mesmo para evitar a entrada
do vírus no Brasil. O ministro da Saúde, Saraiva
Felipe, disse que a preocupação se justifica
pela possibilidade de haver transmissão de homem para
homem e pelos prejuízos econômicos que a doença
pode gerar se alcançar o frango brasileiro.
"Apesar do vírus estar circunscrito a alguns
países, a transmissão ocorre entre aves e de
aves para humanos. Quando ele passa da ave para o homem, é
mais virulento porque o ser humano não tem uma produção
imunológica natural contra ele, como tem no caso de
gripes mais comuns. Além disso, há o risco de
o vírus ‘aprender’ a se transmitir de homem
para homem. Temos que nos preparar em termos de saúde
pública", explicou.
De 2003 até hoje, 117 pessoas que tiveram contato
direto com aves contaminadas pela gripe do frango, em granjas
ou em abatedouros, morreram depois de contrair o vírus.
A maioria dos casos ocorreu na Ásia.
Saraiva Felipe lembrou que a situação também
é preocupante do ponto de vista econômico, já
que o Brasil é o maior exportador de carne de frango.
Uma contaminação no país provocaria um
extermínio de aves em massa, como já aconteceu
em países da Europa, onde se confirmou a existência
de focos da doença, há poucos dias.
O governo, disse o ministro, encomendou ao Laboratório
Roche nove milhões de kits do remédio Tamiflu,
o único no mundo capaz de combater o vírus em
humanos. "Essa quantidade é para atender a uma
situação crítica, já que significa
5% da população brasileira", afirmou. Segundo
Saraiva Felipe, se não houver casos de gripe do frango
em humanos no país, será possível usar
o remédio contra os tipos de gripe comuns no Brasil,
que são os tipos ‘A’, ‘B’ e
‘C’. Os kits foram adquiridos por R$ 193 milhões.
No caso de contaminação em humanos, o doente
tomará o remédio e as pessoas que tiveram contato
com ele também, só que em menor dose. "É
uma medida de prevenção, mesmo que não
haja transmissão entre humanos", explicou o ministro.
Saraiva Felipe disse ainda que a vigilância sanitária
vai aumentar. Ele destacou que ouviu do ministro interino
da Agricultura, Luiz Carlos Guedes Pinto, numa reunião
no Palácio do Planalto, detalhes sobre as ações
da pasta para evitar a entrada no Brasil do vírus da
gripe aviária. As medidas incluem maior vigilância
em portos e aeroportos e mais atenção na fiscalização
de granjas. Uma das sugestões aos produtores seria
a construção de telas próximas aos criatórios,
para evitar que haja contato do frango com aves migratórias
que também carregam o vírus. "Isso tudo
é necessário, até porque, depois dos
focos na Ásia e na Europa, o Brasil incrementou as
exportações de carne de frango", comentou
o ministro da Saúde.
As autoridades vão também monitorar os locais
usados como paradas estratégicas por aves que viajam
do Hemisfério Norte para o Hemisfério Sul. No
Brasil, as aves que vêm do hemisfério Norte costumam
pousar em Pernambuco, Maranhão e Rio Grande do Sul,
antes de seguir viagem rumo ao pólo Sul. "Estamos
em período migratório, por isso devemos ter
mais atenção", disse Saraiva Felipe. Aves
migratórias que apresentem suspeita de contaminação,
serão apreendidas e examinadas para verificar se têm
o vírus H5N1, o tipo que passa de ave para humanos.
|