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O Ministério da Saúde divulgou
nesta quarta-feira (30) o Boletim Epidmológico Aids
DST 2005 com dados que mostram que a epidemia de Aids no Brasil
vem reduzindo nos últimos anos entre os adultos jovens,
usuários de drogas injetáveis e crianças
abaixo de cinco anos que foram infectadas pela chamada transmissão
vertical (de mãe para filho).
De 1980 a junho de 2005, foram registrados 371.827 casos
de Aids no Brasil. De um modo geral, a taxa de incidência
da aids (casos da doença por 100 mil habitantes) mantém-se
estável porém em patamares elevados –
17,2 em 2004. A razão entre homens e mulheres continua
caindo e hoje está em 1,5 caso em homens para 1 caso
em mulher. No início da epidemia, a razão era
de 16 casos em homens para 1 em mulher.
Menores
No caso das crianças abaixo de cinco anos, em ambos
os sexos, observa-se uma queda constante no número
de casos de Aids a partir de 1998. Naquele ano, foram registrados
943 casos da doença nessa faixa etária. No ano
passado, foram 703. A queda, apesar de pequena, é constante.
Até junho de 2005, o número de casos notificados
nessa faixa etária foi de 221.
"Isso é reflexo das ações de prevenção
e de controle da transmissão vertical do HIV, que começaram
a ser implementadas de forma mais efetiva a partir da segunda
metade da década passada. Entretanto, ainda temos muito
a avançar para atingir a meta que estabelecemos de
reduzir a quase zero a transmissão vertical do HIV
ate 2007", afirmou o ministro da Saúde, Saraiva
Felipe.
Sexo
Nos homens ocorre redução das taxas de incidência
na faixa etária entre 13 e 29 anos. Em números
absolutos, o número de casos de Aids nessa idade caiu
de 5.028, em 1998, para 3.671, em 2004. No mesmo período,
o número de casos em indivíduos do sexo masculino
com idades entre 40 e 59 anos aumentou de 4.788 para 6.340.
Entre as mulheres, observa-se um crescimento persistente
da epidemia em praticamente todas as faixas etárias,
com exceção das menores de cinco anos, que apresentam
tendência de queda – 467 casos em 1998 e 338 em
2004. Ocorreu redução bastante discreta nas
mulheres de 13 a 24 anos. Nas outras faixas etárias,
é registrado aumento.
Exposição sexual
A exposição sexual continua a ser a mais importante
forma de transmissão do HIV. "Tanto em homens
quanto em mulheres percebe-se o aumento do número de
casos na transmissão heterossexual e o declínio
dos casos devido o uso de drogas injetáveis",
avalia Pedro Chequer, diretor do Programa Nacional de DST/Aids.
Entre os indivíduos do sexo masculino, nota-se estabilização
com ligeira tendência de queda, na proporção
de casos entre homossexuais e bissexuais. A transmissão
via sexual em mulheres continua representando quase a totalidade
dos casos em maiores de 13 anos, com o registro de 94,8% dos
casos neste segmento em 2004.
Raça/cor
De acordo com os dados do Boletim de 2005, nos casos notificados
com a variável raça/cor houve queda proporcional
entre as pessoas que disseram ser da cor branca e aumento
proporcional entre aquelas que se auto-referiram como sendo
pretos ou pardos, especialmente entre os pardos. Em 2003,
os homens que disseram ser da cor branca responderam por 60,7%
dos casos registrados com a variável raça/cor.
Naquele ano, as mulheres que se disseram de cor branca responderam
por 58,3%. Em 2004, o percentual entre os homens caiu para
56,6% e entre as mulheres, para 52,8%.
Na população que se auto-referiu como preta
ou parda observa-se o inverso. Em 2003, os homens que disseram
ser pretos ou pardos responderam por 38,5% dos casos registrados
com a variável raça/cor. Nesse mesmo ano, as
mulheres que se disseram de cor preta ou parda responderam
por 40,6%. Em 2005, com dados notificados até junho,
o percentual entre os homens subiu para 43,3% e entre as mulheres,
para 45,2%.
Drogas injetáveis
Os dados do Boletim mostram que há redução
importante e persistente dos casos de Aids entre os usuários
de drogas injetáveis. Em homens e mulheres, o número
de casos em 2004 é três vezes menor que em 1998.
Entre os indivíduos do sexo masculino, a redução
é mais significativa. Há seis anos, os casos
entre os homens usuários de drogas injetáveis
(UDI) correspondiam a 20,8% do total de casos da doença
no sexo masculino. No ano passado, os casos em homens UDI
passaram a representar apenas 11% do total de casos masculinos.
Panorama regional
Em linhas gerais, a epidemia avança em todo o país,
com exceção do Sudeste, que apresenta uma queda
significativa de 15,6% na taxa de incidência da aids
entre 1998 e 2004. "O Sudeste tem uma epidemia mais antiga,
que já começa a dar sinais de estabilização",
comenta Chequer. O Sul também apresenta redução,
porém discreta, de 1,3% no mesmo período.
A região Norte é a que mais preocupa: de 1998
a 2004, o crescimento foi de 94,7%. No Centro Oeste e no Nordeste,
a epidemia também aumentou – 48,8% e 38,1, respectivamente.
Entre os dez estados nos quais a doença mais avançou,
de 1998 a 2004, cinco tiveram crescimento superior a 100%
– Maranhão, Pará, Acre, Piauí e
Roraima, que registrou o maior aumento (247%).
Mortalidade
De um modo geral, a mortalidade por aids mantém-se
estável em 6,4 óbitos por 100 mil habitantes
desde 1999, caindo para 6,1 em 2004. No entanto, os dados
de mortalidade em 2004 ainda são preliminares.
Entre as mulheres, as mortes em decorrência da aids
continuam crescendo. Nessa população específica,
a taxa de mortalidade mais alta da história foi registrada
em 1996 – 4,8 óbitos por 100 mil mulheres. Nos
últimos anos, a queda foi pequena: chegou a 3,6 em
1999 (o menor índice) e voltou a subir de forma persistente,
embora não muito intensamente, chegando a 3,9 em 2004.
Ao contrário, nos homens, a taxa de mortalidade vem
mantendo a tendência de queda, passando de 15,1 em 1996
(o maior índice) para 8,4 em 2004.
Metodologia
Os bancos de dados utilizados como fonte das informações
foram o Sistema Nacional de Agravos de Notificação
(Sinan), tanto para os casos de Aids como os de sífilis.
Os dados foram transferidos das secretarias estaduais de saúde
para a Secretaria de Vigilância em Saúde até
junho de 2005 e repassados para o Programa Nacional de DST
e Aids pelo setor de produção do Datasus.
Paraná prepara intensa programação
o Dia Mundial de Luta contra Aids
No Paraná serão realizadas várias
atividades em cada uma das 22 Regionais de Saúde
para marcar o Dia Mundial de Luta contra Aids, celebrado
nesta quarta-feira (1º de dezembro). De acordo
com a coordenadora do Programa DST/Aids da Secretaria
da Saúde, Ivana Kaminski, a Aids está
atingindo mais mulheres, pessoas do interior do Estado
e com menor poder aquisitivo. As pessoas não
estão se prevenindo e estão se expondo
ao risco.
Dos 15.544 casos de Aids notificados em adultos, 10.401
(66%) são homens e 5.143 (33%) mulheres. Kaminski
afirmou que existe hoje "uma proporção
de dois casos em homem para cada caso em mulher, porém
este número já foi de 7 homens para cada
caso em mulheres".
O número de casos de Aids notificados no Paraná
até outubro deste ano foi de 16.248, 15.544 em
adultos e 704 em crianças menores de 13 anos.
Os cinco municípios com maior número de
casos são Curitiba, Londrina, Maringá,
Paranaguá e Foz do Iguaçu. As maiores
incidências em 2004 estão nos municípios
de Paranaguá, Foz do Iguaçu, Londrina,
Curitiba e Cascavel.
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