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Artigos

Relatórios de Enfermagem subsidiando o planejamento da assistência de Enfermagem

» 
Anice de Fátima Ahmad Balduino
   
 

R

egistrar no momento presente/atual;
 

E

videnciar sinais, sintomas e fatores de risco;
 

L

evantar as necessidades básicas afetadas;
 

A

tentar para a objetividade das informações sem fazer julgamento de valores;
 

T

ornar as informações legíveis, sem rasuras e sem linhas em branco;
 

O

lhar o cliente/paciente com olhar sem pré-conceito e com singularidade;
 

R

elacionar as informações com coerência, coesão e com linguagem clara, concisa;
 

I

ntervenções planejadas ou cuidados realizados devem ser registrados;
 

O

rganize as informações utilizando os recursos disponíveis;
 

S

empre assinar (nome legível) apor o número do Coren.
 

 

(Balduino, A. F. A., 2005)
   
 
 

A Enfermagem, a partir de Florence Nigthingale, em 1859, passou apresentar preceitos de cunho científico, onde a observação foi valorizada, pois tornava a prática de Enfermagem mais que um simples cumprimento de tarefas. [1]

Com o passar de décadas, a Enfermagem foi evoluindo em seu processo de trabalho, considerado dinâmico, demonstrando a necessidade de uma metodologia capaz de refletir o pensamento crítico e clínico do enfermeiro. Criou-se, então, o denominado Processo de Enfermagem, ou Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), conhecido e aceito mundialmente.

Ao escrever este trabalho, refleti várias vezes sobre o termo a utilizar: anotações ou registros. Então, busquei no dicionário Aurélio [2] as definições dos termos mencionados e constatei que anotação significa “ato ou efeito de anotar apontamento escrito, comentário”. Já relatar ou fazer relatório significa “mencionar; narrar; referir, expor e descrever”.

Diante de tais conceitos, optei por utilizar o termo relatórios, pois o profissional de Enfermagem descreve de tempo em tempo a situação clínica do cliente ou paciente, o que vem de encontro com a resolução 272/2002 do Cofen [3] – embora a realidade nos mostre que muitos gerentes de Enfermagem, ao planejar os formulários para este fim, reservem espaços para Anotações de Enfermagem. Apesar disso, devemos ter como referencial o que preconiza a nossa lei do exercício profissional, as resoluções e normas, para que realmente comecemos a empregar as taxonomias de Enfermagem de norte a sul do país, isto é, brasileiras, com muito orgulho.

Por outro lado, quando se pensa em assistência de Enfermagem planejada, não se podem ignorar as etapas da SAE, dentre elas, os relatórios de Enfermagem servindo de elo de comunicação entre as equipes de saúde. Esses relatórios são desenvolvidos por todos os profissionais de Enfermagem durante suas atividades de acompanhamento ao paciente, onde devem descrever em documentos que integrarão o prontuário do paciente, relatando fatos ocorridos e não esquecendo de colocar o nome do profissional com o devido número do Coren, conforme Resolução Cofen nº 191/1996 [4].

Os relatórios de Enfermagem são realizados principalmente por Técnicos de Enfermagem e Auxiliares de Enfermagem, visto que o quantitativo desses profissionais prestando assistência ao paciente é maior que o do enfermeiro.

A conduta do profissional de Enfermagem por sua natureza permite requerer a formalização, o que é realizado principalmente por meio das anotações no prontuário do paciente. Sua falta, na maioria das vezes, dificulta o exercício da proteção dos seus direitos, quer civil, quer judicialmente (Baumam, 1999) [5].

A crescente conscientização dos usuários sobre seus direitos a serviço de saúde é uma realidade, sendo assim, os profissionais de Enfermagem devem manter um elevado padrão dos relatórios de Enfermagem em seus serviços.

A legislação do exercício profissional reforça a importância dessa atividade para os profissionais de Enfermagem em seu artigo 3º [6].

Este trabalho tem como objetivo esclarecer os profissionais de Enfermagem sobre o significado dos relatórios de Enfermagem, considerados registros importantes de informações do paciente/cliente durante o pensamento clínico da equipe de Enfermagem.

Entende-se que os relatórios de Enfermagem estabelecem segurança entre a equipe de Enfermagem e de saúde, tornando-se uma ferramenta eficaz na comunicação.

As informações contidas nos relatórios de Enfermagem devem propiciar ao enfermeiro criticamente a sua prática, implementando as mudanças necessárias na assistência ao paciente.

Resgatando conceitos

Gonçalves [7], 2001 apud Castilho e Campedelli, relata que uma anotação bem feita fornece informações valiosas para toda a equipe, dispensando a repetição das mesmas perguntas ao paciente. Também acrescenta que as anotações estão presentes em todas as fases da SAE, fornecendo subsídios para o planejamento da assistência, para a execução dos cuidados e para a avaliação da assistência prestada.

Gonçalves [7], 2001 apud Fernandes et al, relata ainda que a anotação de Enfermagem é um instrumento valorativo de grande significado para a assistência de Enfermagem e para sua continuidade, tornando-se, pois, indispensável na aplicação do processo de Enfermagem.

Gonçalves [7], 2001 apud Atkinson e Murray, afirma que as anotações de Enfermagem servem para registrar os tratamentos de Enfermagem, a resposta dos pacientes e tratamentos e as observações sobre os pacientes.

Yamasaki [8], 2001 apud Koch, afirma que é o registro feito pela equipe de Enfermagem no prontuário do paciente, referente às condições bio-psico-sócio-espirituais e a todos os fatos ocorridos com o paciente, permitindo dar condições para a continuidade dos cuidados.

Yamasaki [8], apud 2001 Cianciarullo, afirma ainda que seja a comunicação da assistência de Enfermagem prestada ao paciente, determinada em prescrição ou estabelecida em normas e rotinas da unidade, assim como a observação dos sinais e sintomas detectados e de outras informações sobre o paciente.

Após a prestação dos cuidados de Enfermagem e da avaliação, o passo seguinte a ter em mente deve ser o registro das investigações, das intervenções e das respostas segundo Alfaro-Lefrevre [9], criando um documento legal, que possa ser usado pela justiça comprovando o tipo de cuidados prestados, sendo a melhor defesa para o profissional, também oferece comprovação com fins de ressarcimento, existe um ditado “se não está escrito o procedimento, não se paga”.

Metodologia

Este estudo trata-se de uma pesquisa descritiva de forma documental onde, segundo Tomasi et al [10], são investigados documentos a fim de se poder descrever e comparar usos e costumes, tendências, diferenças e outras características, mas com abordagem qualitativa, pois envolve a coleta e a análise sistemática de materiais narrativos mais subjetivos, utilizando quando necessário procedimento nos quais a tendência é o mínimo de controle imposto pelo pesquisador.

Foram selecionados aleatoriamente formulários com registros de assistência de alta complexidade, visto que esses serviços apresentam infra-estrutura e indicadores de qualidade dentro dos padrões de atendimento que o cidadão necessita.

Resultados e análise

Quando se analisam os relatórios, percebe-se a existência de formulários que, segundo Alfaro-Lefevre [11], são o tipo de registro que exigem informações específicas em espaços específicos; se houver informação significativa a registrar, redigir no espaço destinado; também registrar as medicações específicas.

Ressalta-se que nesses formulários únicos evidenciou-se um “mix” como um “check list” de procedimentos ou fenômenos de Enfermagem; exames solicitados e resultados; material de consumo; equipamentos utilizados para o paciente/cliente; termo evolução/relatório de Enfermagem; medicamentos especiais; sinais vitais e balanço hídrico.

Segundo Reis et al [12], os formulários de anotação de Enfermagem e de Controle contêm dados sobre sinais vitais, balanço hídrico, drogas especiais, uso de equipamentos específico, manejo da dor, com escalas da dor correspondendo à faixa etária, um roteiro estruturado para anotação de Enfermagem e um campo aberto para as anotações em texto livre.

Percebe-se também que, ao analisar os formulários com denominações de anotações de Enfermagem e não de Controles, eles continham um roteiro estruturado para as anotações e que o espaço livre para o texto é pequeno para cada turno de trabalho realizado pela equipe de Enfermagem. Esse formulário deveria ser denominado relatório de Enfermagem.

Por sua vez, é importante evidenciar que, segundo Soares [13], as anotações de Enfermagem são usadas para registrar tratamentos de Enfermagem, a resposta dos clientes ao tratamento e as observações sobre os clientes. Os enfermeiros podem incluir documentação de atividades de outros membros da equipe de saúde.

Considerações finais

No estudo realizado sobre relatórios de Enfermagem, constatou-se que deverá ter um espaço mais amplo para o texto livre conjugado ao formulário de Controle e que constem dados relacionados à assistência ao paciente.

Por outro lado, que os profissionais registrem as informações de modo simples e sintético, ou seja, dados subjetivos e objetivos que assine o documento à medida que se faz uma observação na vida real, ou seja, feita e registrada no momento em que ocorre segundo Matheus et al [1].

Ainda, que esses profissionais de Enfermagem acreditem nos relatórios de Enfermagem como uma das etapas da SAE, propiciando uma visão geral do estado do paciente, dando uma continuidade à assistência ao paciente/cliente.

Portanto, que os registros devem ser isentos de sentimentos e que a arte de documentar ofereça fundamentos para a pesquisa, auditoria em Enfermagem, colocando a cada dia a nossa profissão como expoente na equipe de saúde. Como relata Baumann [5], as anotações de Enfermagem constantes dos documentos que historiam a evolução do paciente devem refletir a verdade dos fatos sob pena dos profissionais de Enfermagem podem ser responsabilizados civil e criminalmente.

» Referências
 
1 Matheus, M.C. et al. Observação em Enfermagem In: Ciancciarullo, Tamara Iwanow.(org). Instrumentos básicos para o cuidar – um desafio para a qualidade de assistência. São Paulo: Atheneu, 2000. p.5-16.
2. Ferreira, A.B. de H. Novo Aurélio século XXI: o dicionário da língua portuguesa. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.
3. Conselho Federal de Enfermagem – Resolução 272/2002
4. Cofen Resolução 191/1996
5. Baumann, G. et al. Implicações ético-legais no exercício da Enfermagem. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1999.
6. Brasil. Decreto-Lei n.94.406, de 08 de junho de 1987. Lei do exercício profissional de Enfermagem. Cofen: Normas e Notícias, Rio de Janeiro, ano XVII, 08-12 jul.1994.
7. Gonçalves, V. L. M. Anotações de Enfermagem. Inc. Ciancciarullo, Tamara Iwanow. Et al (org). Sistema de assistência de Enfermagem: evolução e tendências. São Paulo: Ícone, 2001.
8. Yamasaki, I. S. et al. Anotações de Enfermagem. Trabalho mimeografado. Curitiba: 2000.
9. Alfaro-Lefrevre. R. Aplicação do Processo de Enfermagem – promoção do cuidado colaborativo. 5. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2005. p. 189.
10. Tomasi, N. G. S. Et al. Metodologia da pesquisa em saúde fundamentos essenciais. Curitiba: as autoras, 1999.
11. Alfaro, Leferere. R. Aplicação do Processo de Enfermagem – Um guia passo a passo. 4. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000. p. 169-192.
12. Reis, E. A A et al Terra à vista – o prontuário como porto seguro na avaliação do cuidado de Enfermagem. Inc. Minatel Vanda de Fátima et al. (org.). Enfermagem de Excelência: da visão à ação. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.
13. Soares, E. Os registros como meio de informação e integração na Enfermagem e equipe multidisciplinar. Inc. Santos, Iraci et al (org.) Enfermagem assistencial no ambiente hospitalar: realidade questões, soluções. São Paulo: Atheneu, 2004. p. 139.
 
Anice de Fátima Ahmad Balduino: Enfermeira Conselheira Secretária do Coren-PR, com especialização em Enfermagem Médico-Cirúrgica (UFPR) e Especialização em Administração Hospitalar (Centro Universitário São Camilo/SP).
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