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Artigo

Histórias da Enfermagem no Paraná

 
Iniciamos com esta edição número zero da Revista do Coren, a publicação da seção "Histórias da enfermagem no Paraná" que levará até nossos leitores um pouco da história da enfermagem em nosso Estado, dando destaque a profissionais, eventos e conquistas que relevaram a nossa profissão.
Se você tem um relato, uma fotografia que se encaixe nestes padrões, nos encaminhe, que possivelmente seu material fará parte de uma de nossas próximas edições. 
Neste primeiro relato contamos com a colaboração da Dra. Terezinha Beatriz Soares de Azeredo, uma das primeiras mulheres brasileiras a dedicar-se à enfermagem como profissional e também dividir seus conhecimentos dentro das salas de aula.
 
 

Foi-nos solicitado pelo Coren-PR um relato histórico, implicitado à nossa participação e testemunho, acreditando nossas solicitantes que eu pelo fato de termos presenciado e participado de acontecimentos, possamos expô-los com fidelidade. Missão difícil, mas é o que pretendemos fazer procurando contar de nossa participação, como contributo de evolução e progresso na história da enfermagem paranaense. Trata-se de um desafio à nossa memória a lembrança de fatos vividos e compartilhados, acontecimentos presenciados e que devem ser evocados a fim de que a geração atual de enfermeiros conhecendo um pouco do ontem, possa entender melhor o hoje e construir o amanhã, pois como em todas as profissões, a história da enfermagem deve estimular em cada enfermeiro maior compreensão dos deveres que lhe impõe e mais entusiasmo pelo seu ideal. 

A enfermagem evoluirá e será no futuro o que o exercício de seus profissionais fizerem dela; ontem como hoje será grande, valorosa, respeitada, se a fizerem grande, medíocre, se medíocres os forem, será a exata dimensão do sonho e da determinação de seus integrantes, até porque, do exemplo das lutas pioneiras de seu desenvolvimento, nos foi legado não apenas um sonho, mas a concretização dele, numa demonstração de talento, dedicação e fé, que reconhecemos e absorvemos de nossas mestras, pretendendo na continuidade transmitir aos nossos pósteros. 

Rememoramos Curitiba, a cidade em que nascemos, cenário de nossos dias vividos; ruas arborizadas, paralelepípedos nas mais centrais, pedra brita nas mais distais, fora do centro. Poucos automóveis, bondes, jardineiras; cidade tranqüila, pacata, provinciana. 

Limitadas oportunidades de estudo e formação para os jovens, pouquíssimas ofertas de cursos superiores, principalmente para as jovens, para elas os estudos nas escolas normais, seriam professoras e casariam... ou não. Dentre os colégios particulares, em maior número que os oficiais, destacava-se o Colégio Novo Ateneu, ali na rua Emiliano Perneta, antiga Aquidaban, onde cursamos desde a admissão ao Ginásio, ao Curso Clássico. Era a Curitiba de 1951, cento e sessenta mil habitantes e as oportunidades que se ofereciam à uma jovem, que pertencia à classe média e que buscava horizontes de formação profissional. Assim, dentre as perspectivas apresentadas, iniciamos um curso de Visitadoras Sanitárias, que era ministrado na Secretaria da Saúde Pública, tenso a coordená-lo uma enfermeira que se diplomara em São Paulo. Esta era WANDA HORTA, paranaense, natural de Ponta Grossa, voltara ao seu Estado após término do curso na Escola de Enfermagem da USP e que acabou por retomar a essa cidade, onde realizou brilhante carreira acadêmica, tornando-se conhecida nacionalmente na comunidade da Enfermagem - foi a introdutora do Processo de Enfermagem, ou seja, a sistematização dos procedimentos de enfermagem cientificamente fundamentados. Mestra de reconhecido saber, orgulho e respeito de toda a categoria profissional, foi ela a nossa orientadora do caminho para a enfermagem, fornecendo-nos nomes e endereços para contato com a EEUSP e para lá seguimos em janeiro de 1952, retornando após término do curso de enfermagem. Iniciamos nossas atividades profissionais no Centro de Saúde da Capital (Barão do Rio Branco com André de Barros), onde permanecemos poucos meses, passando a prestar serviços na Escola de Auxiliares de Enfermagem “Dr. Caetano Munhoz da Rocha”, criada pela Lei Estadual nº 1945 de 18/10/54, a primeira escola criada no Paraná após o advento da Lei nº 775/49 (que organizou o ensino da enfermagem no país); dirigia esta escola a enfermeira MARIA LÊDA VIEIRA (atual diretora do curso de Enfermagem / PUCPR), cedida por órgão federal à Campanha Nacional Contra a Tuberculose, um dos muitos programas do Ministério da Saúde, que deslocava profissionais para os Estados, objetivando criar e/ou organizar serviços das Secretarias Estaduais; participavam do Corpo Docente ainda, as enfermeiras ALICE MICHAUD, formada na EEUSP e GERDA MITT, formada na Escola Ana Nery, de ressaltar
ainda, presença de outras enfermeiras nos próprios serviços da Secretaria da Saúde, no Hospital Médico-Cirúrgico do Portão (hoje Hospital dos Trabalhadores), no Serviço Especial de Saúde Pública, enfim, inúmeras enfermeiras que para cá vieram e muito contribuíram para o desenvolvimento da enfermagem em nosso Estado. 

A criação da Escola de Enfermagem "Madre Leonie, em 1954, iniciativa da Congregação das Irmãs de São José, foi outro marco histórico considerável no desenvolvimento da enfermagem - a partir da criação da Escola de Auxiliares de Enfermagem “Dr. Caetano Munhoz da Rocha” e desta escola foi marcante o crescimento da profissão, devendo ser acrescentado, ainda, na década de 50, a criação da escola de auxiliares de enfermagem “Catarina Labouré”, iniciativa da Congregação das Irmãs de Caridade, escola esta que, com o advento da Lei  nº 4024/61 (Diretrizes e Bases da Educação Nacional ), transformou-se na primeira Escola Técnica de Enfermagem a funcionar no país, trabalho daquela congregação religiosa, onde a figura destacada de empreendedora foi a irmã MARIA TURKIEWICZ. Outro fato marcante do desenvolvimento da enfermagem profissional, foi o início do funcionamento (1962), do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná.  

Na realidade o que se observou e acompanhou no Brasil, quanto ao desenvolvimento da enfermagem, no decorrer de sua história, é que os Estados acompanharam a evolução sócio-econômica e cultural do país. Enquanto aportavam no Brasil as primeiras enfermeiras norte-americanas, para organizar e dirigir a escola de enfermagem Ana Nery, (Divisão de Organização Sanitária do MS), brasileiras iam ao exterior em busca de formação. 

Por evidente, a criação de escolas e cursos exerceu papel preponderante. Todavia mister se faz registrar a importância, pelo que representou de trabalho desde a sua criação em 1926, da Associação Brasileira de Enfermagem, Aben (recomenda-se consulta à publicação Documentário, editada em 1976), que a página 110 registra: "A Associação Brasileira de Enfermagem - Seção Paraná, foi criada em 18 de abril de 1956..., a primeira reunião foi realizada em uma das salas da Escola de Enfermagem Madre Leonie, com a presença de doze enfermeiras: ALICE MICHAUD, ELZE VIEIRA DE SOUZA, TEREZINHA B. G. DE AZEREDO, GERDA MITT, Irmã MARIA  TURKIEWICZ, Irmã REGINA MAGRIN, Irmã LUÍZA ODILA, Irmã MARIA DA GLÓRIA, Irmã VERÔNICA TARTAS, Irmã MARIA MÔNICA, MARIA LÊDA VIEIRA, JACY MARIA ARRUDA...", mais adiante está registrado: "a Diretoria Provisória foi formada por três membros: ALICE MICHAUD, presidente, MARIA LÊDA VIEIRA, secretária e Irmã MARIA TURKIE-WICZ, tesoureira".

Às muitas realizações da ABEN-PR, creditam-se a expansão e o desenvolvimento histórico da enfermagem paranaense, é exíguo nosso espaço para citá-las e também porque outras enfermeiras protagonizaram episódios dessa história, com sua efetiva participação ou compartilhando-os e por certo, deverão fazer seus depoimentos neste espaço da Revista Coren+PR. 

Com relação ao Conselho de Enfermagem, reportamo-nos ao documentário Aben, já citado, página 254: "A idéia da criação de um conselho de enfermagem parece ter se originado da necessidade sentida pelas enfermeiras de que a profissão precisava ser regulamentada; essa preocupação foi aumentando à medida que as profissionais tomavam consciência de que outros grupos de diferente ou nenhum preparo, também desenvolviam atividades de enfermagem". 

O primeiro anteprojeto para a criação do conselho de enfermagem deu entrada na Divisão de Organização Sanitária do Ministério da Educação e Saúde em 24 de agosto de 1945, sob protocolo nº 56267/45. Registra o Documentário, página 277: "Finalmente, a 12 de julho de 1973, foi sancionada a lei nº 5905/73... Eram decorridos vinte e oito anos... 

A Aben enviou ao Ministério do Trabalho e Previdência Social lista tríplice com a indicação de nove nomes para membros efetivos e nove para suplentes, cada uma, para os cargos do Conselho Federal, "...somente em março de 1975 foi publicada a Portaria do Ministério do Trabalho, nº 3059, de 05/03/75, página 278. 

O Paraná foi representado neste primeiro Conselho Federal de Enfermagem, designado pela portaria ministerial mencionada, por esta que relata estes fatos, acrescentando-se, após a vigência do 1º mandato, limitado em doze meses, e cumpridas todas as tarefas estabelecidas na Lei nº 5905/73, em seu artigo 21, parágrafo único e alíneas, continuou representado, após eleição efetuada pela Assembléia dos Delegados Regionais como estabelece o artigo 6º daquela lei. 

Ao fazer este relato cuidamos em preservar a verdade histórica dos fatos nos quais fomos partícipes e participantes. Muito há que ser relatado por outras companheiras de trabalho e lutas pelo engrandecimento da enfermagem, muitas delas, para nosso privilégio anda entre nós; cada uma ajudou a determinar realizações e conquistas a seu tempo, hora e local. A enfermagem, como dizíamos no início, é o que são os seus profissionais, sua história é um evoluir diuturno. Realizamos um retrospecto, confiável mas não tanto, a memória por vezes nos dirigentes do Coren-PR, que outras enfermeiras complementem a história, temos certeza, tem muito a contar de suas laboriosas e engrandecedoras participações, pois cada uma delas ajudou a determinar a forma dos fatos, que eles sejam contados, para conhecimento e inspiração das gerações atuais de enfermeiros, para que possam estes entender porque, ainda hoje e sempre, a tríade da ciência–arte–ideal, será a luz dos caminhos da enfermagem.

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